29.7.09

Telefonema - 18 Julho


Estou à espera que atendas.
Depois digo: Olá.
Digo: Sou eu.
E eu sei, que o meu Eu será sempre o teu Tu.
Susténs a respiração, como que assustada. Depois dizes, A tua voz., Não estava à espera de ouvir a tua voz. É a melhor voz do mundo. É a única voz que eu quereria ouvir para sempre.

Agora estou à beira de lágrimas estremecentes e engulo em seco. Digo qualquer coisa e tu interrompes-me, Amo-te.
Digo, Também te amo.
Dizes, Amo-te mesmo, mesmo a sério. Como dizias antes. E eu sorrio e o meu olhar encontra-se sem querer com o meu reflexo no espelho, e vejo-me sorrir para ti, e essa visão dilacera-me como dilaceram os cheiros que se perderam na infância.
Quero saber como estás. Mas como estamos não é relevante quando estamos a ouvir as nossas vozes, novamente juntas, como instrumentos solistas da maior sinfonia da História.

Repetes, Amo-te para sempre. E dizes o meu nome num suspiro tão profundo que quase cai e bate no chão. Sabemo-nos perdidas. Para toda a eternidade. Como para toda a eternidade me ofereces o teu amor, sem as hesitações das pessoas comuns.
As lágrimas irrompem, como tempestade. Pedes que não chore, pedes sempre que não chore, como se o tempo que temos nesta vida fosse escasso demais para o perder a fazer algo que não seja repetir, Amo-te. Amo-te. Amo-te. Amo-te.

A tempestade regressa ao coração. Páro de soluçar.
Digo adeus, desligo o telefone, e juro que me sinto como se tivesse uma fera demente dentro de mim a quem acabei de dar o alimento mensal.

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