29.7.09
Para Sempre - 30 Junho
Vou sempre amar-te com a força de um leão que esfaqueia a fémea com as suas garras enquanto a possui. Ela sangra e geme mas o rugido é mais poderoso e ecoa na planície inteira. Abutres apáticos esvoaçam.
Vou sempre amar-te como se ama um revólver a escaldar na mão.
Como fadas, como brisas, como purpurina.
Como carne humana nos caninos.
Vou sempre chorar-te atenta ao teu cheiro na multidão. E vou persegui-lo até encontrar um antídoto.
Nunca serei perdoada por ter embalsamado esta fome autoritária, por a usar ao peito quando já não existes. Por te ordenar que te ajoelhes, nos meus sonhos, como fazíamos, no teu quarto.
Vais sempre amar-me como um oceano que engole, ofegante, perturbado.
Vais ser sempre a erosão dos meus muros, com o teu olhar sôfrego que se esfrega.
Olhas para mim com temor, deslumbramento, urgência.
Como estrelas, como açúcar, como pêndulos hipnóticos.
Para sempre, perdi-te entre a multidão. E assim se perpetua o instante de um silêncio assassino.
O leão é mero cadáver. O rugido dissipou-se.
Abutres esqueléticos regozijam-se com a minha carne envenenada.
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