Estou quase preparada, mas não realmente.
Sou sempre acompanhada, mas não realmente.
Estou quase equilibrada, mas não realmente.
Sou quase amada, mas não.
Tenho um pássaro sonolento na janela e uma amante voadora na cama. A tarde cose juntos os nossos corpos, flutuantes entre fiapos de luz. Vejo-nos no espelho,
eu e ela
no ar.
Não temos peso nem densidade, somos só cor e afecto, fome e reflexo.
Sou quase amada, mas não.
2 comentários:
Será que comparas amores?
Questionas-te quem te amará mais?
Ninguém te amará como ela ou ninguém o demonstra da mesma forma?
Se te centrares no amor que recebes individualmente denotas que ele é demonstrado de inúmeras diferentes formas. Essas formas vêm de cada pessoa (sendo pessoa todo um conjunto de manifestações, sentimentos, personalidade, postura, etc.) que não te amará menos se não fizer o que outra faz.
A comparação é rejeitada por mim. Minimiza tudo. Tudo o que é complexo torna-se generalizado/julgado. Mas é da minha personalidade portanto para eu sê-lo e demonstrá-lo necessito de visões contrárias ou simplesmente diferentes.
Sei que é apenas um desabafo teu tal como todo este blog. Portanto deixo o meu desabafo.
Alguém que te ama. Quem (e como), não será a questão.
Amorzinho,
Tens toda a razão, e a comparação é peremptoriamente rejeitada por mim também. Não só é rejeitada, como não é natural de quem ama e sabe receber amor. Porque quem o sabe receber, reconhece-o e reconhece a sua natureza única e incomparável, que torna todas as pessoas insubstituíveis. Sei que sabes tudo isto, e que sabes que te amo como não amo a mais ninguém, e que me amas como mais ninguém. Por seres tu. Por ser eu. E finalmente, porque quando somos nós, somos nós.
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