27.7.09

Quase - 8 Maio

Tenho algumas cicatrizes a confessar. Atravessam-me a alma até à epiderme. Exibem-se desavergonhadas a quem me despe.

Estou quase preparada, mas não realmente.
Sou sempre acompanhada, mas não realmente.
Estou quase equilibrada, mas não realmente.
Sou quase amada, mas não.

Tenho um pássaro sonolento na janela e uma amante voadora na cama. A tarde cose juntos os nossos corpos, flutuantes entre fiapos de luz. Vejo-nos no espelho,
eu e ela
no ar.

Não temos peso nem densidade, somos só cor e afecto, fome e reflexo.

Sou quase amada, mas não.




2 comentários:

Anônimo disse...

Será que comparas amores?
Questionas-te quem te amará mais?
Ninguém te amará como ela ou ninguém o demonstra da mesma forma?

Se te centrares no amor que recebes individualmente denotas que ele é demonstrado de inúmeras diferentes formas. Essas formas vêm de cada pessoa (sendo pessoa todo um conjunto de manifestações, sentimentos, personalidade, postura, etc.) que não te amará menos se não fizer o que outra faz.

A comparação é rejeitada por mim. Minimiza tudo. Tudo o que é complexo torna-se generalizado/julgado. Mas é da minha personalidade portanto para eu sê-lo e demonstrá-lo necessito de visões contrárias ou simplesmente diferentes.

Sei que é apenas um desabafo teu tal como todo este blog. Portanto deixo o meu desabafo.

Alguém que te ama. Quem (e como), não será a questão.

Coisinha-Que-Voa disse...

Amorzinho,

Tens toda a razão, e a comparação é peremptoriamente rejeitada por mim também. Não só é rejeitada, como não é natural de quem ama e sabe receber amor. Porque quem o sabe receber, reconhece-o e reconhece a sua natureza única e incomparável, que torna todas as pessoas insubstituíveis. Sei que sabes tudo isto, e que sabes que te amo como não amo a mais ninguém, e que me amas como mais ninguém. Por seres tu. Por ser eu. E finalmente, porque quando somos nós, somos nós.