23.6.08

Cautelosamente

Muitas vezes por dia
penso em ti
sem saudade
apenas uma espécie de vácuo
onde antes
me perfuravas.

Muitas vezes por dia
penso em nós
sem saudade
apenas uma nostalgia triste
de quem me fazias ser.

E os lábios sangram em vão
sem culpa
apenas uma espécie de súplica
por tudo o que não foi dito.

Costumava pensar em nós
como um espelho
onde iria permanecer
imutável
e ao coser as pálpebras
lembro-me das tuas
cautelosamente fechadas
para não reparar.


14.05.07

Um comentário:

Anônimo disse...

Exacto.

Mas com saudade. Muita saudade.