24.10.07
Tarde
Apaguei um cigarro nos olhos dela
e senti o cheiro das lágrimas queimadas
nesse momento eu estava capaz de jurar
que a amava
como a nenhuma outra
como a nenhuma.
Mas não jurei
lambi o sangue e cerrei os dentes,
com o líquido
entre a língua e a saliva
o fluido
que se recusa a misturar.
Não me odeies agora, ela pediu
que não me zangasse com ela
que não chorasse
mas era tarde demais.
E eu estava capaz de jurar para ela
para os momentos perdidos destruídos com ela
para o amor que se vai nas cartas dela
que a amava
mas era tarde.
O cigarro extinguiu-se
num sopro surpreendido quase tímido
num assobio imperceptível nas lágrimas dela
e tudo se fundiu lentamente.
Alguém pintou este quadro
com tinta flácida velha esquecida
com pó e lágrimas dela
com a minha saliva ensanguentada.
Alguém nos pintou, hoje
tentando ressuscitar-nos hoje
beijando a cinza dos nossos olhos
mas era tarde.
21-04-07
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2 comentários:
gosto de te ler
*
A tua escrita transmite emoções tão facilmente. Gostei bastante.
*
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