Consigo beijar o teu hálito
sabe a eternidades suspensas
por fios de metal gelados.
Consigo morder os teus olhos
têm texturas difíceis
choramingam-me nos lábios.
Diz-me que sou só dela
dela implacável e dura,
aquela manhã à sombra.
Diz-me que ela me mata
e me devora cega
se eu me tentar afastar.
Cosendo-me a pele à cama
eu consigo crer nos muros
que se erguem brancos suados.
Consigo sentir os teus dedos
esfomeados dentro de mim
infantis assassinos.
Encosta-me às tuas palavras
e degola os meus avisos
como se fossem crias.
Obriga-me a ver as feridas
que ficaram nas tuas entranhas
daquela manhã à sombra.
20-01-08
20.1.08
Não Me Deixes Ir
Não me deixes ir
não permitas
a minha partida
não dês autorização
eles mentem
eu não voltarei
se me for.
Não me deixes ir
não te enganes
só tu sabes
onde pertenço
desconheço
onde me levam
mas não lá estarás.
Não me deixes ir
é mentira
que estamos sós
não consintas
que me afaste
não distraias
o olhar.
Não me deixes ir
teme as sombras
segura-me
eles vêem
não admitas
que me levem
não me esqueças
se me for.
20-01-08
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